Crede em Seus Profetas

Leitura semanal do Espírito de Profecia

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CAPÍTULO 42

Tradição
DTN - Pag. 395 Os escribas e fariseus, esperando ver Jesus por ocasião da páscoa, armaram-Lhe uma cilada. Jesus, porém, conhecendo-lhes o desígnio, absteve-Se dessa reunião. "Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus." Como Ele não fosse para onde eles estavam, foram eles ter com Jesus. Por algum tempo, parecia que o povo da Galiléia O havia de aceitar como o Messias, derribando-se o poder da hierarquia naquela região. A missão dos doze, indicando a extensão da obra de Cristo e pondo os discípulos mais francamente em conflito com os rabis, despertara novamente os ciúmes dos guias em Jerusalém. Os espias por eles enviados a Cafarnaum, no princípio de Seu ministério, os quais procuraram firmar contra Ele a acusação de violador do sábado, foram confundidos; mas os rabinos buscavam levar a cabo o seu propósito. Agora, outra delegação foi enviada para vigiar-Lhe os movimentos e encontrar contra Ele algum motivo de acusação.
Como anteriormente, esse motivo de queixa foi Sua desconsideração pelos preceitos tradicionais que atravancavam a lei de Deus. Estes se destinavam professadamente a preservar a observância da mesma, mas eram considerados mais sagrados que a própria lei. Quando em colisão com os mandamentos dados no Sinai, dava-se preferência aos preceitos rabínicos.
Entre as observâncias mais tenazmente acentuadas, achava-se a da purificação cerimonial. A negligência das formalidades observadas antes de comer, era considerada odioso pecado, que
DTN - Pag. 396 devia ser punido tanto neste mundo como no futuro; e julgava-se também uma virtude destruir o transgressor.
As regras concernentes à purificação eram inúmeras. Os anos da existência mal dariam para uma pessoa as aprender todas. A vida dos que procuravam observar as exigências dos rabinos era uma longa luta contra a contaminação cerimonial, uma interminável série de abluções e purificações. Enquanto o povo se ocupava de insignificantes distinções e observâncias não exigidas por Deus, sua atenção se afastava dos grandes princípios de Sua lei.
Cristo e os discípulos não observavam essas abluções cerimoniais, e os espias tomaram essa negligência como pretexto para acusá-los. Não atacaram, entretanto, a Cristo diretamente, mas a Ele se dirigiram criticando os discípulos. Em presença da multidão, disseram: "Por que transgridem os Teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão."
Sempre que a mensagem de verdade se apresenta às almas com especial poder, Satanás suscita seus instrumentos para disputarem sobre qualquer ponto de somenos importância. Procura assim desviar a atenção do verdadeiro assunto. Quando quer que se comece uma boa obra, há pessoas prontas a suscitar discussões sobre formas e detalhes de técnica, para desviar as mentes das realidades vivas. Quando parece que Deus está prestes a operar de maneira especial em benefício de Seu povo, não se empenhe este em disputas que só trarão ruína de almas. Os pontos que mais nos interessam, são: Creio eu com salvadora fé no Filho de Deus? Está minha vida em harmonia com a lei divina? "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida." "E nisto sabemos que O conhecemos: se guardamos os Seus mandamentos." João 3:36; I João 2:3.
Jesus não fez nenhuma tentativa para Se justificar a Si ou aos discípulos. Não Se referiu às acusações que Lhe eram feitas, mas começou a mostrar o espírito que movia esses ardorosos defensores de ritos humanos. Deu-lhes um exemplo do que estavam repetidamente fazendo, e tinham feito mesmo antes de ir procurá-Lo. "Bem invalidais o mandamento de Deus", disse Ele, "para guardardes a vossa tradição. Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, morrerá de morte. Porém, vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor"; "esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe". Punham de parte o quinto mandamento como não sendo de nenhuma importância, mas eram por demais exatos em executar
DTN - Pag. 397 a tradição dos anciãos. Ensinavam ao povo que a dedicação de sua propriedade ao templo era um dever mais sagrado que o próprio sustento dos pais; e que, por maior que fossem a necessidade, seria sacrilégio dar ao pai ou à mãe qualquer parte do que fora assim consagrado. Um filho desobediente só tinha que proferir a palavra "Corbã" acerca de seus bens, dedicando-os assim a Deus, e podê-los-ia conservar enquanto vivesse, e por sua morte ficariam pertencendo ao serviço do templo. Estava assim, tanto em vida como na morte, na liberdade de desonrar e prejudicar os pais, sob a capa de pretendida devoção a Deus.
Nunca, por palavra ou ato, diminuiu Jesus a obrigação do homem de apresentar dádivas e ofertas a Deus. Fora Cristo que dera todas as instruções da lei quanto a dízimos e ofertas. Quando na Terra, louvou a mulher pobre que deu ao tesouro do templo tudo que tinha. Mas o aparente zelo dos sacerdotes e rabis, era um fingimento para acobertar seu desejo de se engrandecerem a si mesmos. O povo era enganado por eles. Estava suportando pesados encargos que Deus lhe não impusera. Os próprios discípulos de Cristo não estavam libertos, inteiramente, do jugo sobre eles posto pelos preconceitos herdados e pela autoridade dos rabinos. Manifestando agora o verdadeiro espírito desses rabis, buscava Cristo livrar da escravidão da tradição todos quantos na verdade desejassem servir a Deus.
"Hipócritas", disse Ele dirigindo-Se aos espias, "bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-Me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim. Mas em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." As palavras de Cristo eram uma acusação a todo o sistema de farisaísmo. Declarou que, pondo suas próprias exigências acima dos preceitos divinos, os rabis se estavam colocando a si mesmos acima de Deus.
Os delegados de Jerusalém encheram-se de raiva. Não podiam acusar a Cristo de transgressor da lei dada no Sinai, pois Ele falava como defensor da mesma, contra as tradições deles. Os grandes preceitos da lei, apresentados por Ele, apareciam em chocante contraste com as insignificantes regras de origem humana.
Ao povo, e depois, mais plenamente, aos discípulos, Jesus explicou que a contaminação não procede do exterior, mas do interior. Pureza e impureza pertencem à alma. É o mau ato, a palavra ou o pensamento mau, a transgressão da lei de Deus, não a negligência de cerimônias externas criadas pelo homem, o que contamina.
DTN - Pag. 398 Os discípulos notaram a cólera dos espias, ao serem expostos seus falsos ensinos. Viram os olhares zangados e ouviram as palavras, meio murmuradas, de descontentamento e vingança. Esquecendo quantas vezes Cristo dera provas de ler os corações como um livro aberto, disseram-Lhe o efeito de Suas palavras. Esperando que Ele acalmasse os enraivecidos magistrados, observaram a Jesus: "Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?"
Respondeu Ele: "Toda a planta, que Meu Pai celestial não plantou, será arrancada." Os costumes e tradições tão altamente considerados pelos rabis, eram deste mundo, não do Céu. Por maior que fosse sua autoridade para com o povo, não podiam resistir à prova da parte de Deus. Toda invenção humana que tem substituído os mandamentos de Deus, demonstrar-se-á sem valor naquele dia em que "Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau". Ecl. 12:14.
Não cessou ainda a substituição dos preceitos de Deus pelos dos homens. Mesmo entre os crentes acham-se instituições e costumes que não têm melhor fundamento que as tradições dos Pais. Essas instituições, baseadas em autoridade meramente humana, têm suplantado as de indicação divina. Os homens se apegam a suas tradições, e reverenciam seus costumes, nutrindo ódio contra os que lhes procuram mostrar que estão em erro. Nesta época, quando somos mandados chamar a atenção para os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, vemos a mesma inimizade que se manifestava nos dias de Cristo. Acerca do povo remanescente de Deus, está escrito: "E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto de sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo." Apoc. 12:17.
Mas "toda a planta, que Meu Pai celestial não plantou, será arrancada". Em lugar da autoridade dos chamados Pais da Igreja, Deus nos pede aceitar a palavra do Pai eterno, o Senhor do Céu e da Terra. Aí somente se encontra a verdade sem mistura de erro. Davi disse: "Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos Teus testemunhos. Sou mais prudente do que os velhos; porque guardo os Teus preceitos." Sal. 119:99 e 100. Que todos os que aceitam a autoridade humana, os costumes da igreja ou as tradições dos Pais, atendam à advertência envolvida nas palavras de Cristo: "Em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens."

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CAPÍTULO 43
Barreiras Derribadas
DTN - Pag. 399 Depois do encontro com os fariseus, retirou-Se Jesus de Cafarnaum e, atravessando a Galiléia, dirigiu-Se para a região montanhosa das fronteiras da Fenícia. Olhando para o oeste, avistava, estendendo-se pelas planícies embaixo, as antigas cidades de Tiro e Sidom, com os templos pagãos, os magnificentes palácios e mercados, e os portos cheios de embarcações. Além, achava-se a extensão azul do Mediterrâneo, por sobre o qual os mensageiros do evangelho deveriam levar as boas novas aos centros do grande império do mundo. Mas ainda não era o tempo. A obra que se achava diante dEle agora, era preparar os discípulos para a missão que lhes seria confiada. Ao buscar essa região, esperava Ele encontrar o retiro que não conseguira obter em Betsaida. Todavia, não era esse o único desígnio que tinha ao empreender essa viagem.
"Eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada." O povo dessa região pertencia à antiga raça cananéia. Eram idólatras, e desprezados e odiados pelos judeus. A essa classe pertencia a mulher que foi ter então com Jesus. Era pagã, sendo portanto excluída das vantagens dia a dia gozadas pelos judeus. Residiam
DTN - Pag. 400 entre os fenícios muitos judeus, e a notícia da obra de Cristo penetrara nessa região. Alguns dentre o povo Lhe ouviram as palavras e testemunharam as maravilhosas obras que realizava. Essa mulher ouvira falar do profeta que, dizia-se curava toda espécie de doenças. Ao ser informada de Seu poder, nasceu-lhe a esperança no coração. Inspirada pelo amor materno, decidiu apresentar-Lhe o caso de sua filha. Tinha o firme desígnio de levar sua aflição a Jesus. Este devia curar-lhe a filha. Ela buscara auxílio dos deuses pagãos, mas não obtivera melhoras. E por vezes era tentada a pensar: Que poderá fazer por mim esse Mestre judaico? Mas fora-lhe dito: Ele cura toda espécie de doenças, sejam ricos ou pobres os que Lhe vão pedir ajuda. Decidiu não perder sua única esperança.
Cristo conhecia a situação dessa mulher. Sabia que O anelava ver, e colocara-Se-lhe no caminho. Mitigando-lhe a dor, poderia dar viva representação do que pretendia ensinar. Para esse fim levara os discípulos àquele lugar. Desejava que vissem a ignorância existente em aldeias e cidades vizinhas da terra de Israel. O povo a quem se dera todo o ensejo de compreender a verdade, desconhecia as necessidades dos que os rodeavam. Esforço algum se fazia para ajudar as almas em trevas. O muro de separação, criado pelo orgulho judaico, impedia os próprios discípulos de se compadecerem do mundo pagão. Cumpria, porém, derribar essas barreiras.
Cristo não atendeu imediatamente à súplica da mulher. Recebeu essa representante de uma raça desprezada, como o teriam feito os próprios judeus. Assim procedendo, era Seu intuito impressionar os discípulos quanto à maneira fria e insensível com que os judeus tratariam um caso assim, ilustrando-o com o acolhimento dispensado à mulher; e quanto ao modo compassivo por que desejava que tratassem com essas aflições, segundo o exemplificou na atenção que posteriormente lhe deu ao pedido.
Mas embora Jesus não respondesse, a mulher não perdeu a fé. Passando Ele, como se a não ouvisse, seguiu-O, continuando em suas súplicas. Aborrecidos com sua importunação, os discípulos pediram a Jesus que a despedisse. Viram que o Mestre a tratava com indiferença e daí julgaram que os preconceitos dos judeus contra os cananeus Lhe agradavam. Aquele a quem a mulher dirigia seus rogos, porém, era um compassivo Salvador e, em resposta ao pedido dos discípulos, disse Jesus: "Eu não fui
DTN - Pag. 401 enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel." Se bem que essa resposta parecesse em harmonia com o preconceito dos judeus, era uma tácita reprovação aos discípulos, o que vieram a compreender posteriormente, como a lembrar-lhes o que lhes dissera muitas vezes - que Ele viera ao mundo para salvar a todos quantos O aceitassem.
Com crescente ardor insistia a mulher em sua necessidade, inclinando-se aos pés de Cristo e clamando: "Senhor, socorre-me!" Aparentemente ainda lhe desprezando as súplicas, segundo o insensível preconceito judaico, respondeu Jesus: "Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos." Com isso afirmava, por assim dizer, que não era justo desperdiçar com os estrangeiros e inimigos de Israel as bênçãos trazidas ao favorecido povo de Deus. Esta resposta teria desanimado inteiramente qualquer suplicante menos fervoroso. Mas a mulher viu que chegara sua oportunidade. Sob a aparente recusa de Cristo, viu a compaixão que Ele não podia dissimular. "Sim, Senhor", respondeu ela, "mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores." Enquanto os filhos da casa comem à mesa paterna, os cães não são deixados sem alimento. Têm direito às migalhas que caem da mesa abundantemente provida. Assim, se bem que muitas fossem as bênçãos concedidas a Israel, não haveria também uma para ela? Era considerada como um cão; não teria então também o direito de um cão a uma migalha de Sua generosidade?
Jesus acabava de partir de Seu campo de labor, porque os escribas e fariseus estavam procurando tirar-Lhe a vida. Murmuravam e queixavam-se. Manifestavam incredulidade e azedume, e recusavam a salvação tão abundantemente a eles oferecida. Aqui encontra Cristo uma criatura de uma raça infeliz e desprezada, não favorecida com a luz da Palavra de Deus; todavia, submete-se imediatamente à divina influência de Cristo, e tem fé implícita em Seu poder de lhe garantir o favor que suplica. Pede as migalhas que caem da mesa do Senhor. Se lhe for dado o privilégio de um cão, está disposta a ser como tal considerada. Não a influencia nenhum preconceito ou orgulho nacional ou religioso, e reconhece imediatamente Jesus como o Redentor, e capaz de fazer tudo quanto Lhe pede.
O Salvador fica satisfeito. Provou-lhe a fé nEle. Por Seu trato com ela, mostrou que aquela que era tida como rejeitada de Israel, não mais é estranha, mas uma filha na família de Deus. Como filha, tem o privilégio de partilhar das dádivas do Pai. Cristo assegura-lhe então o que pede, e conclui a lição dada aos discípulos.
DTN - Pag. 402 Voltando-se para ela com olhar de compaixão e amor, diz: "Ó mulher! grande é a tua fé: seja isso feito para contigo como tu desejas." E desde aquela hora a sua filha ficou sã. Não mais o demônio a perturbou. A mulher partiu reconhecendo o Salvador, e contente com a certeza do deferimento de sua petição.
Foi esse o único milagre que Jesus operou, quando nessa viagem. Fora para a realização desse ato que Ele Se dirigira às fronteiras de Tiro e Sidom. Desejava dar alívio à aflita mulher, deixando ao mesmo tempo, em Sua obra, um exemplo de misericórdia para com a filha de um povo desprezado, para benefício dos discípulos quando não mais estivesse com eles. Desejava levá-los a sair da exclusividade judaica, interessando-se em trabalhar por outros além de seu próprio povo.
Jesus anelava desvendar os profundos mistérios da verdade ocultos por séculos, de que os gentios deviam ser co-herdeiros com os judeus, e "participantes da promessa em Cristo pelo evangelho". Efés. 3:6. Esta verdade os discípulos foram tardios em apreender, e o divino Mestre deu-lhes lição após lição. Recompensando a fé do centurião em Carfarnaum, e pregando o evangelho aos habitantes de Sicar, já dera provas de que não participava da intolerância dos judeus. Mas os samaritanos tinham algum conhecimento de Deus; e o centurião mostrara bondade para com Israel. Agora, Jesus pôs os discípulos em contato com uma pagã que consideravam, como qualquer outro membro de seu povo, sem nenhum direito a esperar o Seu favor. Queria dar um exemplo de como uma pessoa nessas condições devia ser tratada. Os discípulos haviam pensado que Ele distribuía muito liberalmente os dons de Sua graça. Mostraria que Seu amor não devia limitar-se a qualquer raça ou nação.
Quando Ele disse: "Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel", declarou a verdade; e ajudando à cananéia, estava cumprindo Sua missão. Esta mulher era uma das ovelhas perdidas que Israel devia ter salvo. Era a obra que lhes fora indicada, e por eles negligenciada, que Cristo estava cumprindo.
Este ato abriu o espírito dos discípulos mais amplamente para o labor que se achava diante deles, entre os gentios. Viram um vasto campo de utilidade fora da Judéia. Viram almas suportando dores ignoradas pelos mais altamente favorecidos. Entre os que tinham sido ensinados a desprezar, achavam-se almas ansiosas do auxílio do poderoso Médico, famintos da luz da verdade, tão abundantemente dada aos judeus.
Mais tarde, quando os judeus mais persistentemente se desviaram dos discípulos por declararem que Jesus é o Salvador do mundo, e quando a parede divisória entre judeus e gentios foi
DTN - Pag. 403 derribada pela morte de Cristo, esta lição e outras semelhantes que indicavam não ser o trabalho evangélico restringido por costumes ou nacionalidades, tiveram sobre os representantes de Cristo poderosa influência em Lhes dirigir os labores.
A visita do Salvador à Fenícia e o milagre aí realizado, tinham ainda mais largo desígnio. Não somente pela mulher aflita, nem mesmo pelos discípulos e os que lhes recebessem os serviços, foi feita essa obra, mas também "para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:31. As mesmas influências que separavam os homens de Cristo dezenove séculos atrás, acham-se hoje em dia em operação. O espírito que ergueu a parede separatória entre judeus e gentios, está ainda em atividade. O orgulho e o preconceito têm construído fortes muros de separação entre as diferentes classes de homens. Cristo e Sua missão têm sido desfigurados, e multidões sentem-se virtualmente excluídas do ministério do evangelho. Não sintam elas, porém, que se acham excluídas de Cristo. Não há barreiras que o homem ou Satanás possa levantar, que a fé não seja capaz de atravessar.
Com fé, atirou-se a mulher fenícia contra as barreiras que se tinham elevado entre judeus e gentios. Apesar de não ser animada, a despeito das aparências que a poderiam ter levado a duvidar, confiou no amor do Salvador. É assim que Cristo deseja que nEle confiemos. As bênçãos da salvação destinam-se a toda alma. Coisa alguma, a não ser sua própria escolha, pode impedir qualquer homem de tornar-se participante da promessa dada em Cristo, pelo evangelho.
Qualquer discriminação é aborrecível a Deus. É-Lhe desconhecida qualquer coisa dessa natureza. Aos Seus olhos, a alma de todos os homens é de igual valor. "De um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da Terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites de Sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós." Sem distinção de idade ou categoria, de nacionalidade ou de privilégio religioso, são todos convidados a ir a Ele e viver. "Todo aquele que nEle crer não será confundido. Porquanto não há diferença." "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre." "O rico e o pobre se encontraram; a todos os fez o Senhor." "O mesmo é o Senhor de todos os que O invocam." "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." Atos 17:26 e 27; Gál. 3:28; Prov. 22:2; Rom. 10:11-13.

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CAPÍTULO 44
O Verdadeiro Sinal
DTN - Pag. 404 "E Ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao Mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis." Mar. 7:31.
Fora na região de Decápolis que haviam sido curados os endemoninhados de Gergesa. Ali o povo, alarmado com a destruição dos porcos, constrangera Jesus a retirar-Se dentre eles. Escutara, porém, os mensageiros por Ele deixados atrás de Si, e despertara-se o desejo de vê-Lo. Ao chegar outra vez àquela região, muito povo se reuniu em torno dEle, e foi-Lhe levado um homem surdo e gago. Jesus não curou o homem com uma só palavra, como de costume. Tomando-o à parte de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua; olhando para o Céu, suspirou ao pensamento dos ouvidos que se não abriam à verdade, das línguas que se recusavam a reconhecê-Lo como o Redentor. À palavra: "Abre-te", foi restituída ao homem a fala e, desatendendo à recomendação de o não dizer a ninguém, ele propalou por toda parte a história de sua cura.
Jesus subiu a uma montanha, e para ali afluiu a multidão, reunindo-se-Lhe ao redor, trazendo os enfermos e coxos, e depondo-os aos Seus pés. Ele os curou a todos; e o povo, pagão como era, glorificou ao Deus de Israel. Por três dias continuou a se aglomerar em torno do Salvador, dormindo à noite ao ar livre, e durante o dia comprimindo-se ansiosamente para ouvir as palavras de Cristo, e testemunhar Suas obras. Ao fim de três dias, acabaram-se
DTN - Pag. 405 os alimentos que tinham. Jesus não os queria despedir com fome, e chamou os discípulos para que lhes dessem alimento. Novamente manifestaram sua incredulidade. Viram em Betsaida como, com a bênção de Cristo, o pouco que tinham dera para alimentar a multidão; todavia, não Lhe foram levar agora a pequena provisão, confiando em Seu poder para multiplicá-la, a fim de alimentar o povo faminto. Demais, os que Ele alimentara em Betsaida, eram judeus; estes eram gentios e pagãos. O preconceito judaico era ainda forte no coração dos discípulos, e responderam a Jesus: "De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?" Mar. 8:4. Obedientes à Sua palavra, no entanto, trouxeram-Lhe o que havia - sete pães e uns poucos de peixinhos. A multidão foi alimentada, ficando sete grandes cestos cheios das sobras. Quatro mil homens, além de mulheres e crianças, foram assim revigorados, e Jesus os despediu cheios de alegria e reconhecimento.
Tomando então um barco em companhia dos discípulos, dirigiu-Se a Magdala, do outro lado do lago, no extremo sul da planície de Genesaré. Nas fronteiras de Tiro e Sidom, fora Seu espírito refrigerado pela sincera confiança da mulher siro-fenícia. O povo pagão de Decápolis O recebera com alegria. Agora, ao desembarcar mais uma vez na Galiléia, onde se realizara a maior parte de Suas obras de misericórdia, e tiveram lugar os Seus ensinos, foi Ele recebido com desdenhosa incredulidade.
A uma delegação de fariseus, unira-se uma representação de ricos e altivos saduceus, o partido dos sacerdotes, dos cépticos e aristocratas da nação. As duas seitas haviam estado em feroz inimizade. Os saduceus cortejavam o favor do poder dominante, a fim de manter a própria posição e autoridade. Os fariseus, por outro lado, fomentavam o ódio popular contra os romanos, ansiando o tempo em que lhes fosse dado sacudir de si o jugo do vencedor. Mas fariseus e saduceus uniram-se agora contra Cristo. Os semelhantes atraem-se; onde quer que exista um mal, liga-se com o mal para destruição do bem.
DTN - Pag. 406 Fariseus e saduceus foram então em busca de Cristo, pedindo um sinal do Céu. Quando, nos dias de Josué, Israel saiu à batalha com os cananeus em Bete-Horom, o Sol, se detivera, à ordem do chefe, até que fosse conseguida a vitória; e muitas idênticas maravilhas se tinham operado na história deles. Um sinal assim foi solicitado de Jesus. Esses sinais não eram, todavia, aquilo de que os judeus necessitavam. Nenhuma prova meramente externa lhes seria proveitosa. O que precisavam, não era iluminação intelectual, mas renovação espiritual.
"Hipócritas", disse Jesus, "sabeis diferençar a face do céu" - estudando o céu, podiam predizer o tempo - "e não conheceis os sinais dos tempos?" (Mat. 16:3) palavras de Cristo, proferidas com o poder do Espírito Santo que os convencia do pecado, eram o sinal dado por Deus para salvação deles. E sinais vindos diretamente do Céu foram, concedidos para atestar a missão de Cristo. O canto dos anjos para os pastores, a estrela que guiara os magos, a pomba e a voz do Céu em Seu batismo, eram testemunhas em favor dEle.
"E suspirando profundamente em Seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal?" "Nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas." Mat. 16:4. Como Jonas estivera três dias e três noites no ventre da baleia, havia Cristo de estar o mesmo tempo "no seio da terra". E como a pregação de Jonas fora o sinal para os ninivitas, assim o era a de Cristo para Sua geração. Mas que contraste na recepção da palavra! O povo da grande nação pagã tremera ao ouvir a advertência de Deus. Reis e nobres se humilharam; os elevados e os humildes clamaram juntamente ao Deus do Céu, e Sua misericórdia lhes foi assegurada. "Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração", disse Cristo, "e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas." Mat. 12:40 e 41.
Cada milagre operado por Cristo, foi um sinal de Sua divindade. Estava fazendo a própria obra predita acerca do Messias; mas para os fariseus estas obras de misericórdia eram um positivo escândalo. Os guias judaicos olhavam com cruel indiferença aos sofrimentos humanos. Em muitos casos, seu egoísmo e opressão haviam causado a dor que Jesus aliviava. Assim, Seus milagres eram um opróbrio para eles.
O que levava os judeus a rejeitarem a obra do Salvador, era a mais alta demonstração de Seu caráter divino. A maior significação de Seus milagres manifesta-se no fato de serem feitos para benefício da humanidade. A mais alta prova de que veio de
DTN - Pag. 407 Deus, é revelar Sua vida o caráter divino. Ele fez as obras e falou as palavras de Deus. Tal vida é o maior de todos os milagres.
Quando se apresenta em nossa época a mensagem da verdade, há muitos que, como os judeus, exclamam: "Mostrai-nos um sinal. Operai-nos um milagre." Cristo não operou nenhum milagre a pedido dos fariseus. Não fizera milagre algum no deserto, em resposta às insinuações de Satanás. Não nos comunica poder para nos vindicarmos a nós mesmos ou satisfazer às exigências da incredulidade e do orgulho. Mas o evangelho não deixa de mostrar o sinal de sua origem divina. Não é um milagre que nos possamos libertar do cativeiro de Satanás? A inimizade contra Satanás não é natural ao coração humano; é implantada pela graça de Deus. Quando a pessoa que era dominada por uma vontade obstinada e má é posta em liberdade, e se entrega de todo o coração à influência dos celestiais instrumentos de Deus, opera-se um milagre; assim também quando um homem esteve sob o poder de forte ilusão, e chega a compreender a verdade moral. Toda vez que uma alma se converte, e aprende a amar a Deus e guardar-Lhe os mandamentos, cumpre-se a promessa por Ele feita: "E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo." Ezeq. 36:26. A mudança do coração humano, a transformação do caráter, é um milagre que revela um Salvador sempre vivo, operando para salvar almas. Uma vida coerente em Cristo, é grande milagre. Na pregação da Palavra de Deus, o sinal que se devia manifestar então e sempre, é a presença do Espírito Santo a fim de tornar a palavra uma força regeneradora para os que a ouvem. Esta é a testemunha de Deus perante o mundo, quanto à divina missão de Seu Filho.
Os que desejavam um sinal da parte de Jesus tinham tão endurecido o coração na incredulidade, que não Lhe discerniam no caráter a semelhança de Deus. Não viam que Sua missão se achava em harmonia com as Escrituras. Na parábola do rico e Lázaro, Jesus disse aos fariseus: "Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite." Luc. 16:31. Nenhum sinal dado no céu ou na terra os beneficiaria.
Jesus suspirou "profundamente em Seu espírito" e, voltando-Se do grupo de sofistas, tornou a entrar no bote com os discípulos. Em doloroso silêncio, atravessaram de novo o lago. Não voltaram, entretanto, ao lugar que haviam deixado, mas tomaram a direção de Betsaida, próximo à qual foram alimentados os cinco mil. Chegando ao ponto mais distante, do outro lado, Jesus disse: "Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus." Mat. 16:6.
DTN - Pag. 408 Os judeus estavam habituados, desde os dias de Moisés, a tirar de casa o fermento, por ocasião da Páscoa, e tinham sido assim ensinados a considerá-lo como símbolo do pecado. Todavia, os discípulos deixaram de compreender Jesus. Em sua súbita partida de Magdala, esqueceram-se de prover-se de pão, tendo consigo apenas um. Entenderam que Cristo Se referia a essa circunstância, advertindo-os a não comprar pão de um fariseu ou saduceu. Sua falta de fé e de visão espiritual levaram-nos, muitas vezes, a semelhante má compreensão de Suas palavras. Então Jesus os reprovou por pensarem que Aquele que alimentara milhares com uns poucos peixes e pães de cevada, poderia, naquela solene advertência, referir-Se meramente à comida temporal. Havia perigo de que o astuto raciocínio dos fariseus e saduceus levedasse os discípulos com incredulidade, levando-os a considerar levianamente as obras de Cristo.
Os discípulos pensavam que o Mestre devia ter atendido ao pedido de um sinal do céu. Acreditavam que Ele era plenamente capaz de o fazer, e que um sinal assim reduziria a silêncio os inimigos. Não discerniam a hipocrisia desses fingidos.
Meses mais tarde, "ajuntando-se... muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros", Jesus repetiu o mesmo ensino. "Começou a dizer aos discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia." Luc. 12:1.
O fermento posto na farinha opera imperceptivelmente, mudando toda a massa, segundo sua natureza. Assim, se à hipocrisia se permitir lugar no coração, penetra o caráter e a vida. Um exemplo frisante da hipocrisia dos fariseus, Cristo já censurara condenando o costume do "Corbã", pelo qual a negligência do dever filial se ocultava sob uma pretensa liberalidade para com o templo. Os escribas e fariseus estavam insinuando princípios enganadores. Disfarçavam a verdadeira tendência de suas doutrinas, e aproveitavam toda ocasião de as instilar artificiosamente no espírito dos ouvintes. Esses falsos princípios, uma vez aceitos, operavam como fermento na massa, nela penetrando e transformando-lhe o caráter. Era esse ensino enganoso que tornava tão difícil ao povo o receber as palavras de Cristo.
As mesmas influências estão operando hoje em dia mediante os que buscam explicar de tal modo a lei de Deus, que a fazem conformar-se com suas práticas. Esta classe não ataca abertamente a lei, mas expõe teorias especulativas que lhe minam os
DTN - Pag. 409 princípios. Explicam-na de maneira a lhe destruir a força.
A hipocrisia dos fariseus era o produto do egoísmo. A glorificação deles próprios, eis o objetivo de sua vida. Era isso que os levava a perverter e aplicar mal as Escrituras, e os cegava ao desígnio da missão de Cristo. Esse mal sutil, os próprios discípulos de Cristo se achavam em risco de alimentar. Os que se haviam contado como seguidores de Jesus, mas não tinham deixado tudo a fim de se tornar Seus discípulos, eram em grande parte influenciados pelos raciocínios dos fariseus. Achavam-se muitas vezes vacilantes entre a fé e a incredulidade, e não discerniam os tesouros de sabedoria ocultos em Cristo. Os próprios discípulos, conquanto exteriormente a tudo houvessem renunciado por amor de Jesus, não tinham, no coração, deixado de buscar grandes coisas para si mesmos. Era esse espírito que motivara a disputa de quem seria o maior. Era isso que se interpunha entre eles e Cristo, fazendo-os tão apáticos para com Sua missão de sacrifício, tão tardios em compreender o mistério da redenção. Como o fermento, se deixado a completar sua obra, produzirá corrupção e ruína, assim o espírito de egoísmo, sendo nutrido, opera a ruína da alma.
Entre os seguidores de nosso Senhor em nossos dias, como outrora, quão disseminado se acha esse pecado sutil e enganador! Quantas vezes nosso serviço a Cristo, nossa comunhão uns com os outros, não são manchados pelo oculto desejo de exaltar o próprio eu! Quão pronto o pensamento de se congratular consigo mesmo, e o anelo da aprovação humana! É o amor do próprio eu, o desejo de um caminho mais fácil do que o que nos é designado por Deus, que leva à substituição dos divinos preceitos por teorias e tradições humanas. Aos Seus próprios discípulos, dirige-se a advertência de Cristo: "Adverti e acautelai-vos do fermento dos fariseus." Mat. 16:6.
A religião de Cristo é a própria sinceridade. Zelo pela glória de Deus, eis o motivo implantado pelo Espírito Santo; e unicamente a eficaz operação do Espírito pode implantar esse motivo. O poder de Deus, somente, pode expulsar o egoísmo e a hipocrisia. Essa mudança é o sinal de Sua operação. Quando a fé que aceitamos destrói o egoísmo e o fingimento, quando nos leva a buscar a glória de Deus e não a nossa, podemos saber que é da devida espécie. "Pai, glorifica o Teu nome" João 12:28. era a nota tônica da vida de Cristo e, se O seguirmos, essa será a nota predominante em nossa vida. Ele nos manda "andar como Ele andou"; e "nisto sabemos que O conhecemos: se guardarmos os Seus mandamentos." I João 2:6 e 3.

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