Crede em Seus Profetas

Leitura semanal do Espírito de Profecia

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Capítulo 10 — A voz do deserto

Este capítulo é baseado em Lucas 1:5-23, 57-80; 3:1-18; Marcos 1:1-8.

Dentre os fiéis de Israel, que desde longo tempo esperavam a vinda do Messias, surgiu o precursor de Cristo. O idoso sacerdote Zacarias e Sua esposa Isabel eram “ambos justos perante Deus”; (Lucas 1:6) e em sua vida tranqüila e santa, brilhava a luz da fé como uma estrela entre as trevas daqueles dias maus. A esse piedoso par foi dada a promessa de um filho, o qual havia de “ir ante a face do Senhor, a preparar os Seus caminhos”. Lucas 1:76.

Zacarias habitava nas “montanhas da Judéia”, mas fora a Jerusalém, para ministrar por uma semana no templo, serviço requerido duas vezes por ano dos sacerdotes de todas as turmas. “E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem de sua turma, segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer incenso”. Lucas 1:8, 9.

Achava-se ele diante do altar de ouro, no lugar santo do santuário. A nuvem de incenso ascendia perante Deus, com as orações de Israel. Súbito, sentiu-se consciente da presença divina. Um anjo do Senhor achava-se “em pé, à direita do altar do incenso”. Lucas 1:11. A posição do anjo era uma indicação de favor, mas Zacarias não reparou nisso. Por muitos anos orara pela vinda do Redentor; agora o Céu enviara seu mensageiro para anunciar que essas orações estavam prestes a ser atendidas; a misericórdia de Deus, porém, parecia-lhe demasiadamente grande para ele acreditar. Encheu-se de temor e condenação própria.

Foi, no entanto, saudado com a alegre promessa: “Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; e terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo. [...] E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. E irá adiante dEle no espírito de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos; com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois já sou velho, e minha mulher avançada em idade”. Lucas 1:13-18.

Zacarias bem sabia como fora dado a Abraão um filho em sua velhice, porque ele crera fiel Aquele que prometera. Por um momento, porém, o velho sacerdote volvera os pensamentos para a fraqueza da humanidade. Esqueceu-se de que Deus é capaz de cumprir aquilo que promete. Que contraste entre essa incredulidade, e a fé simples e infantil de Maria, a donzela de Nazaré, cuja resposta ao maravilhoso anúncio do anjo, foi: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Lucas 1:38.

O nascimento de um filho a Zacarias, como o do filho de Abraão, e o de Maria, visava ensinar uma grande verdade espiritual, verdade que somos tardios em aprender e prontos a esquecer. Somos por nós mesmos incapazes de fazer qualquer bem; mas o que não somos capazes de fazer, o poder de Deus há de operar em toda pessoa submissa e crente. Por meio da fé foi dado o filho da promessa. Mediante a fé é gerada a vida espiritual, e somos habilitados a realizar as obras da justiça.

À pergunta de Zacarias, disse o anjo: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas”. Lucas 1:19. Quinhentos anos antes, Gabriel dera a conhecer a Daniel o período profético que se devia estender até à vinda de Cristo. O conhecimento de que o fim desse período estava próximo, movera a Zacarias a orar pelo advento do Redentor. Agora, o próprio mensageiro por meio de quem a profecia fora dada, viera anunciar o seu cumprimento.

As palavras do anjo: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus”, mostram que ocupa posição de elevada honra, nas cortes celestiais. Quando viera com uma mensagem para Daniel, dissera: “Ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, a não ser Miguel [Cristo], vosso príncipe”. Daniel 10:21. De Gabriel, diz o Salvador em Apocalipse: “Pelo Seu anjo as enviou, e as notificou a João Seu servo”. Apocalipse 1:1. E a João o anjo declarou: “Eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas”. Apocalipse 22:9. Maravilhoso pensamento — que o anjo que ocupa, em honra, o lugar logo abaixo do Filho de Deus, é o escolhido para revelar os desígnios de Deus a homens pecadores.

Zacarias exprimira dúvida quanto às palavras do anjo. Não falaria outra vez enquanto elas não se cumprissem. “Eis”, disse o anjo, “que ficarás mudo [...] até ao dia em que estas coisas aconteçam”. Lucas 1:20. Era dever do sacerdote, nesse serviço, orar pelo perdão dos pecados públicos e nacionais, e pela vinda do Messias; quando, porém, Zacarias tentou fazer isso, não podia emitir uma palavra.

Saindo para abençoar o povo, “falava por acenos, e ficou mudo”. Haviam-no esperado muito, e começado a temer que houvesse sido ferido pelo juízo de Deus. Mas ao sair do lugar santo, seu rosto resplandecia com a glória de Deus, “e entenderam que tinha visto alguma visão no templo”. Zacarias comunicou-lhes o que vira e ouvira; e “terminados os dias de seu ministério, voltou para sua casa”. Lucas 1:22, 23.

Pouco depois do nascimento da prometida criança, a língua do pai se desprendeu, “e falava, louvando a Deus. E veio temor sobre todos os seus vizinhos, e em todas as montanhas da Judéia foram divulgadas todas estas coisas. E todos os que as ouviam as conservavam em seus corações dizendo: Quem será pois esse menino?” Lucas 1:64-66. Tudo isso tendia a chamar a atenção para a vinda do Messias, ao qual João devia preparar o caminho.

O Espírito Santo repousou sobre Zacarias, e ele profetizou, por estas belas palavras, a missão de seu filho:

“E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os Seus caminhos; para dar ao Seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados; pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, com que o Oriente do alto nos visitou; para alumiar aos que estão assentados em trevas e sombra de morte; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz”. Lucas 1:76-79.

“E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel”. Lucas 1:80. Antes do nascimento de João, o anjo dissera: “Será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo”. Lucas 1:15. Deus chamara o filho de Zacarias para uma grande obra, a maior já confiada a homens. A fim de cumprir essa obra, precisava de que o Senhor com ele cooperasse. E o Espírito de Deus seria com ele, caso desse ouvidos às instruções do anjo.

João devia ir como mensageiro de Jeová, para levar aos homens a luz de Deus. Devia imprimir-lhes nova direção aos pensamentos. Devia impressioná-los com a santidade dos reclamos divinos, e sua necessidade da perfeita justiça de Deus. Esse mensageiro tem que ser santo. Precisa ser um templo para a presença do Espírito de Deus. A fim de cumprir sua missão, deve ter sã constituição física, bem como resistência mental e espiritual. Era, portanto, necessário que regesse os apetites e paixões. Deveria ser por forma tal capaz de dominar suas faculdades, que pudesse estar entre os homens, tão inabalável ante as circunstâncias ambientes, como as rochas e montanhas do deserto.

Ao tempo de João Batista, a cobiça das riquezas e o amor do luxo e da ostentação se haviam alastrado. Os prazeres sensuais, banquetes e bebidas, estavam causando moléstias e degeneração física, amortecendo as percepções espirituais, e insensibilizando ao pecado. João devia assumir a posição de reformador. Por sua vida abstinente e simplicidade de vestuário, devia constituir uma repreensão para sua época. Daí as instruções dadas aos pais de João — uma lição de temperança dada por um anjo do trono do Céu.

Na infância e mocidade, o caráter é extremamente impressionável. Deve ser adquirido então o domínio próprio. Exercem-se, no círculo de família, ao redor da mesa, influências cujos resultados são duradouros como a eternidade. Acima de quaisquer dotes naturais, os hábitos estabelecidos nos primeiros anos decidem se a pessoa será vitoriosa ou vencida na batalha da vida. A juventude é o tempo da semeadura. Determina o caráter da colheita, para esta vida e para a outra.

Como profeta, João devia “converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes às prudência dos justos; com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto”. Preparando o caminho para o primeiro advento de Cristo, era representante dos que têm que preparar um povo para a segunda vinda de nosso Senhor. O mundo está entregue à condescendência com as próprias inclinações. Está cheio de erros e fábulas. Multiplicam-se os ardis de Satanás para a destruição. Todos quantos querem aperfeiçoar a santidade no temor de Deus, têm que aprender as lições da temperança e do domínio próprio. Os apetites e paixões devem ser mantidos em sujeição às mais elevadas faculdades do espírito. Esta autodisciplina é essencial àquela resistência mental e visão espiritual que nos habilitarão para compreender e praticar as sagradas verdades da Palavra de Deus. É por esta razão que a temperança tem seu lugar na obra de preparação para a segunda vinda de Cristo.

Segundo a ordem natural, o filho de Zacarias teria sido educado para o sacerdócio. A educação das escolas dos rabis, no entanto, tê-lo-ia incapacitado para sua obra. Deus não o mandou aos mestres de teologia para aprender a interpretar as Escrituras. Chamou-o ao deserto, a fim de aprender acerca da natureza, e do Deus da natureza.

Foi numa região isolada que encontrou seu lar, em meio de despidas colinas, ásperos barrancos e cavernas das rochas. Preferiu, porém, renunciar às diversões e luxos da vida pela rigorosa disciplina do deserto. Ali, o ambiente era propício aos hábitos de simplicidade e abnegação. Não perturbado pela agitação do mundo, poderia estudar as lições da natureza, da revelação e da Providência. As palavras do anjo a Zacarias haviam sido muitas vezes repetidas a João por seus piedosos pais. Desde a infância fora-lhe conservada diante dos olhos a missão a ele confiada e aceitara o sagrado depósito. Para ele, a solidão do deserto era um convidativo lugar de escape da sociedade quase geralmente contaminada de suspeita, incredulidade e impureza. Desconfiava de suas forças para resistir à tentação, e fugia do constante contato com o pecado, não viesse a perder o sentimento de sua inexcedível culpabilidade.

Dedicado a Deus como nazireu desde o nascimento, fez por si mesmo o voto de uma consagração de toda a vida. Vestia-se como os antigos profetas, duma túnica de pêlo de camelo, presa por um cinto de couro. Comia “gafanhotos e mel silvestre”, achados no deserto, e bebia a água pura que vinha das montanhas.

A vida de João não era, entretanto, passada em ociosidade, em ascética tristeza, em isolamento egoísta. Ia de tempos a tempos misturar-se com os homens; e era sempre observador interessado do que se passava no mundo. De seu quieto retiro, vigiava o desdobrar dos acontecimentos. Com a iluminada visão facultada pelo Espírito divino, estudava o caráter dos homens, a fim de saber como lhes chegar ao coração com a mensagem do Céu. Pesava sobre ele a responsabilidade de sua missão. Meditando e orando, na solidão, buscava preparar-se para a obra de sua vida. Se bem que habitando no deserto, não estava livre de tentações. Cerrava, quanto possível, toda entrada a Satanás; não obstante, assaltava-o ainda o tentador. Sua percepção espiritual, porém, era clara; desenvolvera resistência de caráter e decisão e, mediante o auxílio do Espírito Santo, era habilitado a pressentir a aproximação de Satanás, e resistir-lhe ao poder.

João encontrou no deserto sua escola e santuário. Qual Moisés entre as montanhas de Midiã, era circundado da presença de Deus, e das demonstrações de Seu poder. Não teve, como o grande líder de Israel, a sorte de habitar entre a solene majestade da solidão das montanhas; achavam-se, porém, diante dele as alturas de Moabe, além do Jordão, a falar-lhe dAquele que firmara os montes, cingindo-os de fortaleza. O triste e terrível aspecto da natureza no deserto em que morava, pintava vivamente o estado de Israel. A frutífera vinha do Senhor, tornara-se em desolada ruína. Sobre o deserto, no entanto, curvava-se o céu luminoso e belo. As nuvens que se acumulavam, com o negror da tempestade, eram aureoladas pelo arco-íris da promessa. Assim, por sobre a degradação de Israel, brilhava a prometida glória do reino do Messias. As nuvens da ira eram emparelhadas pelo arco-íris do Seu misericordioso concerto.

Sozinho, no silêncio da noite, lia a promessa feita por Deus a Abraão, de uma semente tão inumerável como as estrelas. A luz da aurora, dourando as montanhas de Moabe, falava-lhe dAquele que havia de ser “como a luz da manhã quando sai o Sol, da manhã sem nuvens”. 2 Samuel 23:4. E no brilho do meio-dia via o esplendor de Sua revelação, quando “a glória do Senhor” se manifestar, “e toda carne juntamente” a vir. Isaías 40:5.

Num misto de respeito e regozijo, examinava nos rolos dos profetas as revelações da vinda do Messias — a Semente prometida que haveria de esmagar a cabeça da serpente; Siló, “o doador da paz”, que deveria aparecer antes de um rei deixar de reinar sobre o trono de Davi. Agora chegara o tempo. No palácio do monte de Sião senta-se um governador romano. Segundo a firme palavra do Senhor, o Cristo já nascera.

As arrebatadas descrições da glória do Redentor por Isaías, eram dia e noite objeto de estudo de sua parte — o Rebento do tronco de Jessé; um Rei que reinará em justiça, julgando “com eqüidade os mansos da Terra” (Isaías 11:4); “um refúgio contra a tempestade, [...] a sombra de uma grande rocha em terra sedenta” (Isaías 32:2); Israel não mais sendo chamado “Desamparada”, nem sua terra “Assolada”, mas chamado pelo Senhor “o Meu Prazer”, e Sua terra “Desposada”. Isaías 62:4. O coração do solitário exilado enchia-se de gloriosa visão.

Contemplou o Rei em Sua beleza, e o próprio eu foi esquecido. Via a majestade da santidade, e sentiu-se ineficiente e indigno. Estava disposto a ir como mensageiro do Céu, não atemorizado pelo humano, pois contemplara o Divino. Podia ficar ereto e destemido em presença de governantes terrestres, porque se prostrara diante do Rei dos reis.

João não compreendia plenamente a natureza do reino do Messias. Esperava que Israel fosse libertado de seus inimigos nacionais; mas a vinda de um Rei em justiça, e o estabelecimento de Israel como nação santa, era o grande objetivo de sua esperança. Assim acreditava se viesse a cumprir a profecia dada em seu nascimento. “Para [...] lembrar-Se do Seu santo concerto, [...] Que, libertados da mão de nossos inimigos, O serviríamos sem temor, em santidade e justiça perante Ele, todos os dias de nossa vida”.

Via seu povo enganado, satisfeito consigo mesmo e adormecido em pecados. Anelava despertá-los para vida mais santa. A mensagem que Deus lhe dera, destinava-se a acordá-los da letargia, e fazê-los tremer por sua grande iniqüidade. Antes de a semente do evangelho poder encontrar guarida, o solo do coração deveria ser revolvido. Antes de lhes ser possível buscar cura em Jesus, precisavam ser despertados para o perigo que corriam em razão das feridas do pecado.

Deus não manda mensageiros para lisonjear o pecador. Não transmite mensagem de paz para embalar os não santificados numa segurança fatal. Depõe pesados fardos sobre a consciência do malfeitor, e penetra o coração com as setas da convicção. Os anjos ministradores apresentam-lhe os terríveis juízos de Deus para aprofundar o sentimento da necessidade, e instigar ao brado: “Que devo fazer para me salvar?” Então a mão que humilhou até o pó, ergue o penitente. A voz que repreendeu o pecado, e expôs à vergonha o orgulho e a ambição, indaga com a mais terna simpatia: “Que queres que te faça?”

Ao começar o ministério do Batista, a nação achava-se em estado de agitação e descontentamento próximos da revolta. Com a remoção de Arquelau, a Judéia fora posta sob o domínio de Roma. A tirania e extorsão dos governadores romanos, e seus decididos esforços para introduzir símbolos e costumes gentílicos, atearam a revolta, extinta com sangue de milhares dos mais valorosos de Israel. Tudo isso intensificara o ódio nacional contra Roma, e aumentara os anseios de libertação de seu poder.

Entre a discórdia e o conflito, ouviu-se uma voz do deserto, voz vibrante e severa, sim, mas plena de esperança: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos Céus”. Com novo e estranho poder sacudia o povo. Os profetas haviam predito a vinda de Cristo como um acontecimento que se achava em futuro muito distante, mas eis ali o aviso de que estava às portas. O singular aspecto de João fazia a mente dos ouvintes reportar-se aos antigos videntes. Nas maneiras e no vestuário, assemelhava-se ao profeta Elias. Com o espírito e poder deste, denunciava a corrupção nacional, e repreendia os pecados dominantes. Suas palavras eram claras, incisivas, convincentes. Muitos acreditavam que fosse um dos profetas ressuscitado. Toda a nação se comoveu. Multidões afluíam ao deserto.

João proclamava a vinda do Messias, e chamava o povo ao arrependimento. Como símbolo da purificação do pecado, batizava-os nas águas do Jordão. Assim, por uma significativa lição prática, declarava que os que pretendiam ser o povo escolhido de Deus estavam contaminados pelo pecado, e sem purificação de coração e vida, não poderiam ter parte no reino do Messias.

Príncipes e rabis, soldados, publicanos e camponeses iam ouvir o profeta. Alarmou-os por algum tempo a solene advertência de Deus. Muitos foram levados ao arrependimento, e receberam o batismo. Pessoas de todas as categorias submeteram-se às exigências do Batista, a fim de participar do reino que anunciava.

Muitos dos escribas e fariseus foram ter com ele, confessando os pecados e pedindo o batismo. Haviam-se exaltado como sendo melhores que os outros homens, levando o povo a ter alta opinião acerca de sua piedade; agora, os criminosos segredos de sua vida eram revelados. Mas João foi impressionado pelo Espírito Santo quando a não terem, muitos desses homens, real convicção do pecado. Eram oportunistas. Esperavam, como amigos do profeta, obter favor diante do Príncipe que haveria de vir. E, recebendo o batismo das mãos desse popular e jovem mestre, pensava fortalecer sua influência para com o povo.

João os enfrentou com a fulminante pergunta: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi pois frutos dignos de arrependimento; e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”. Mateus 3:7-9.

Os judeus haviam compreendido mal a promessa de Deus, de dispensar para sempre Seu favor a Israel: “Assim diz o Senhor, que dá o Sol para luz do dia, e as ordenanças da Lua e das estrelas para luz da noite, que fende o mar, e faz bramir as suas ondas; o Senhor dos Exércitos é o Seu nome. Se se desviarem essas ordenanças de diante de Mim, diz o Senhor, deixará também a semente de Israel de ser uma nação diante de Mim para sempre. Assim disse o Senhor: Se puderem ser medidos os céus para cima, e sondados os fundamentos da Terra para baixo, também Eu rejeitarei toda a semente de Israel por tudo quanto fizeram, diz o Senhor”. Jeremias 31:35-37. Os judeus olhavam a sua descendência natural de Abraão, como lhes dando direito a esta promessa. Deixavam de atender, porém, às condições que Deus estipulara. Antes de dar a promessa dissera: “Porei a Minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração, e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo. [...] Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados”. Jeremias 31:33, 34.

A um povo em cujo coração Sua lei está escrita, é assegurado o favor de Deus. São um com Deus. Mas os judeus se haviam dEle separado. Em razão de seus pecados, estavam sofrendo sob Seus juízos. Era essa a causa de estarem escravizados a uma nação pagã. O espírito deles estava obscurecido pela transgressão, e por lhes haver o Senhor em tempos anteriores mostrado tão grande favor, desculpavam seus pecados. Lisonjeavam-se de ser melhores que os outros homens, e merecedores de Suas bênçãos.

Estas coisas “estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. 1 Coríntios 10:11. Quantas vezes interpretamos mal as bênçãos de Deus, e nos lisonjeamos de ser favorecidos em virtude de alguma bondade que haja em nós! Deus não pode fazer por nós aquilo que almeja. Seus dons, empregamo-los para nos aumentar a satisfação pessoal, e nos endurecer o coração em incredulidade e pecado.

João declarava aos mestres de Israel que seu orgulho, egoísmo e crueldade demonstravam serem eles uma raça de víboras, uma terrível maldição para o povo, em vez de filhos do justo e obediente Abraão. Em vista da luz que haviam recebido de Deus, eram ainda piores que os gentios, a quem se sentiam tão superiores. Haviam-se esquecido da rocha de onde foram cortados, e da caverna do poço de onde foram cavados. Deus não dependia deles para cumprimento de Seu desígnio. Como chamara a Abraão dentre um povo gentio, assim poderia chamar outros a Seu serviço. O coração destes poderia parecer agora tão morto como as pedras do deserto, mas o Espírito de Deus o poderia vivificar para fazer Sua vontade, e receber o cumprimento da promessa.

“E também”, disse o profeta, “já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo”. Mateus 3:10. Não por seu nome, mas por seus frutos, é determinado o valor de uma árvore. Se o fruto é sem valor, o nome não pode salvar a árvore da destruição. João declarou aos judeus que sua aceitação diante de Deus era decidida por seu caráter e vida. A declaração de nada valia. Se sua vida e caráter não estivessem em harmonia com a lei de Deus, não eram seu povo.

Sob a influência das penetrantes palavras de João, os ouvintes sentiam-se convictos. Chegavam-se a ele com a interrogação: “Que faremos pois?” Ele respondia: “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira”. Lucas 3:10, 11. E advertia os publicanos contra a injustiça, e os soldados contra a violência.

Todos quantos se houvessem de tornar súditos do reino de Cristo, tinham que dar demonstrações de fé e arrependimento. Bondade, honestidade e fidelidade se manifestariam na vida dessas pessoas. Ajudariam os necessitados, e levariam a Deus suas ofertas. Defenderiam os desamparados, dando exemplo de virtude e compaixão. Assim os seguidores de Cristo darão provas do poder transformador do Espírito Santo. Revelar-se-ão na vida diária justiça, misericórdia e amor de Deus. Do contrário, são como palha, que se lança ao fogo.

“Eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento”, disse João, “mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Mateus 3:11. O profeta Isaías declarara que o Senhor purificaria o Seu povo de suas iniqüidades “com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor”. Isaías 4:4. As palavras do Senhor a Israel, eram: “E porei contra ti a Minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza”. Isaías 1:25. Para o pecado, onde quer que se encontre, “nosso Deus é um fogo consumidor”. Hebreus 12:29. O Espírito de Deus consumirá pecado em todos quantos se submeterem a Seu poder. Se os homens, porém, se apegarem ao pecado, ficarão com ele identificados. Então a glória de Deus, que destrói o pecado, tem que destruí-los. Depois de sua noite de luta com o anjo, Jacó exclamou: “Tenho visto a Deus face a face e a minha alma foi salva”. Gênesis 32:30. Jacó fora culpado de um grande pecado em sua conduta para com Esaú; mas arrependera-se. Sua transgressão fora perdoada, e seu pecado purificado; podia, portanto, suportar a revelação da presença de Deus. Mas sempre que os homens chegaram à presença dEle, enquanto voluntariamente nutrindo o mal, foram destruídos. Por ocasião do segundo advento de Cristo, os ímpios hão de ser consumidos “pelo assopro da Sua boca”, e aniquilados “pelo resplendor da Sua vinda”. 2 Tessalonicenses 2:8. A luz da glória de Deus, que comunica vida aos justos, matará os ímpios.

No tempo de João Batista, Cristo estava prestes a Se manifestar como o revelador do caráter de Deus. Sua própria presença tornaria aos homens manifesto o seu pecado. Somente em virtude da boa vontade da parte deles para serem purificados do pecado, podiam entrar em comunhão com Jesus. Só os puros de coração podiam permanecer em Sua presença.

Assim declarava o Batista a mensagem de Deus a Israel. Muitos deram ouvidos a suas instruções. Muitos sacrificaram tudo, a fim de obedecer. Multidões seguiam a esse novo mestre de um lugar para outro, e não poucos nutriam a esperança de que fosse o Messias. Mas, vendo João o povo voltar-se para ele, buscava todas as oportunidades de encaminhar-lhes a fé para Aquele que haveria de vir.


Capítulo 11 — O batismo

Este capítulo é baseado em Mateus 3:13-17; Marcos 1:9-11; Lucas 3:21, 22.

Por toda a Galiléia se espalharam as novas do profeta do deserto, e de sua maravilhosa mensagem. Esta chegou até aos camponeses das mais remotas cidades da montanha e aos pescadores da praia, encontrando, nesses corações simples e sinceros, a mais genuína aceitação. Em Nazaré repercutiu na oficina de carpintaria que fora de José, e houve Alguém que reconhecesse o chamado. Seu tempo chegara. Afastando-Se de Seu diário labor, despediu-Se de Sua mãe, e seguiu os passos dos compatriotas que afluíam em multidões ao Jordão.

Jesus e João Batista eram primos, e intimamente relacionados pelas circunstâncias de Seu nascimento; todavia, não haviam tido nenhuma comunicação direta um com o outro. A vida de Jesus fora passada em Nazaré, na Galiléia; a de João, no deserto da Judéia. Em ambiente grandemente diverso, tinham vivido separados, e não se haviam comunicado entre si. A Providência assim o determinara. Não se devia dar lugar à acusação de haverem conspirado para apoiarem mutuamente suas pretensões.

João tinha conhecimento dos fatos que haviam assinalado o nascimento de Jesus. Ouvira falar da visita que, em Sua infância, fizera a Jerusalém, e do que se passara na escola dos rabinos. Sabia da existência sem pecado que vivera, e cria ser Ele o Messias; mas não tinha disso positiva certeza. O fato de haver Jesus permanecido tantos anos em obscuridade, não dando especial indício de Sua missão, deu lugar a dúvidas quanto a ser na verdade o Prometido. O Batista, no entanto, esperava com fé confiante, acreditando que, ao tempo designado pelo próprio Deus, tudo se haveria de esclarecer. Fora-lhe revelado que o Messias procuraria de suas mãos o batismo, e seria então dado um sinal de Seu caráter divino. Assim seria habilitado para apresentá-Lo ao povo.

Quando Jesus foi para ser batizado, João nEle reconheceu pureza de caráter que nunca divisara em homem algum. A própria atmosfera de Sua presença era santa e inspirava respeito. Entre as multidões que se haviam congregado em torno dele no Jordão, ouvira João tristes histórias de crime, e encontrara pessoas curvadas ao fardo de milhares de pecados; nunca, entretanto, estivera em contato com um ser humano de quem brotasse tão divina influência. Tudo isso estava em harmonia com o que lhe fora revelado acerca do Messias. No entanto, esquivou-se a fazer o pedido de Jesus. Como poderia ele, pecador, batizar o Inocente? E por que haveria Aquele que não necessitava de arrependimento, de submeter-Se a um rito que era uma confissão de culpa a ser lavada?

Ao pedir Jesus, o batismo, João recusou, exclamando: “Eu careço de ser batizado por Ti, e vens Tu a mim?” Com firme, se bem que branda autoridade, Jesus respondeu: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça”. E João, cedendo, desceu com o Salvador ao Jordão, sepultando-O nas águas. “E logo que saiu da água” Jesus “viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre Ele”. Mateus 3:14, 15.

Jesus não recebeu o batismo como confissão de pecado de Sua própria parte. Identificou-Se com os pecadores, dando os passos que nos cumpre dar. A vida de sofrimento e paciente perseverança que viveu depois do batismo, foi também um exemplo para nós.

Ao sair da água, Jesus Se inclinou em oração à margem do rio. Nova e importante fase abria-se diante dEle. Entrava agora, em mais amplo círculo, no conflito de Sua vida. Conquanto fosse o Príncipe da Paz, Sua vida devia ser como o desembainhar de uma espada. O reino que viera estabelecer, era oposto daquilo que os judeus desejavam. Aquele que era o fundamento do ritual e da organização de Israel, seria considerado seu inimigo e destruidor. Aquele que proclamara a lei sobre o Sinai, seria condenado como transgressor. O que viera derribar o poder de Satanás, seria acusado como Belzebu. Ninguém na Terra O compreendera, e ainda em Seu ministério devia andar sozinho. Durante Sua existência, nem a mãe nem os irmãos Lhe tinham compreendido a missão. Os próprios discípulos não O entendiam. Habitara na eterna luz, sendo um com Deus, mas Sua vida na Terra devia ser vivida em solidão.

Como um conosco, cumpria-Lhe suportar o fardo de nossa culpa e aflição. O Inocente devia sentir a vergonha do pecado. O Amigo da paz tinha que habitar entre a luta, a verdade com a mentira, a pureza com a vileza. Todo pecado, toda discórdia, toda contaminadora concupiscência trazida pela transgressão, Lhe era uma tortura para o espírito.

Sozinho devia trilhar a vereda; sozinho carregaria o fardo. Sobre Aquele que abrira mão de Sua glória, e aceitara a fraqueza da humanidade, devia repousar a redenção do mundo. Viu e sentiu tudo isso; firme, porém, permaneceu o Seu desígnio. De Seu braço dependia a salvação da raça caída, e Ele estendeu a mão para agarrar a do Onipotente Amor.

O olhar do Salvador parece penetrar o Céu, ao derramar a alma em oração. Bem sabe como o pecado endureceu o coração dos homens, e como lhes será difícil discernir Sua missão, e aceitar o dom da salvação eterna. Suplica ao Pai poder para vencer a incredulidade deles, quebrar as cadeias com que Satanás os escravizou, a derrotar, em seu benefício, o destruidor. Pede o testemunho de que Deus aceite a humanidade na pessoa de Seu Filho.

Nunca antes haviam os anjos ouvido tal oração. Anseiam trazer a Seu amado Capitão uma mensagem de certeza e conforto. Mas não; o próprio Pai responderá à petição do Filho. Diretamente do trono são enviados os raios de Sua glória. Abrem-se os céus, e sobre a cabeça do Salvador desce a forma de uma pomba da mais pura luz — fiel emblema dEle, o Manso e Humilde.

Entre a multidão à beira do Jordão, poucos, além do Batista, divisaram essa visão celeste. Entretanto, a solenidade da divina presença repousou sobre a assembléia. O povo ficou silencioso, a contemplar a Cristo. Seu vulto achava-se banhado pela luz que circunda sem cessar o trono de Deus. Seu rosto erguido estava glorificado como nunca dantes tinham visto um rosto de homem. Dos céus abertos, ouviu-se uma voz, dizendo: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo”. Mateus 3:17.

Essas palavras de confirmação foram proferidas para inspirar a fé naqueles que testemunhavam a cena, e fortalecer o Salvador para Sua missão. Não obstante os pecados de um mundo criminoso serem postos sobre Cristo, não obstante a humilhação de tomar sobre Si nossa natureza decaída, a voz declarou ser Ele o Filho do Eterno.

João ficara profundamente comovido ao ver Jesus curvado como suplicante, rogando com lágrimas a aprovação do Pai. Ao ser Ele envolto na glória de Deus, e ouvir-se a voz do Céu, reconheceu o Batista o sinal que lhe fora prometido por Deus. Sabia ter batizado o Redentor do mundo. O Espírito Santo repousou sobre ele, e, estendendo a mão, apontou para Jesus e exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29.

Ninguém, entre os ouvintes, nem mesmo o que as proferira, discerniu a importância dessas palavras: “O Cordeiro de Deus”. Sobre o monte Moriá, ouvira Abraão a pergunta do filho: “Meu pai! onde está o cordeiro para o holocausto?” O pai respondera: “Deus proverá para Si o cordeiro para o holocausto, meu filho”. Gênesis 22:7, 8. E no cordeiro divinamente provido em lugar de Isaque, Abraão viu um símbolo dAquele que havia de morrer pelos pecados dos homens. Por intermédio de Isaías, o Espírito Santo, servindo-Se dessa ilustração, profetizou do Salvador: “Como um cordeiro foi levado ao matadouro”, “o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos” (Isaías 53:7, 6); mas o povo de Israel não compreendera a lição. Muitos deles consideravam as ofertas sacrificais muito semelhantes à maneira por que os gentios olhavam a seus sacrifícios — como dádivas pelas quais tornavam propícia a Divindade. Deus desejava ensinar-lhes que de Seu próprio amor provinha a dádiva que os reconciliava com Ele.

E as palavras dirigidas a Jesus no Jordão: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo”, abrangem a humanidade. Deus falou a Jesus como nosso representante. Com todos os nossos pecados e fraquezas, não somos rejeitados como indignos. Deus “nos fez agradáveis a Si no Amado”. Efésios 1:6. A glória que repousou sobre Cristo é um penhor do amor de Deus para conosco. Indica-nos o poder da oração — como a voz humana pode chegar aos ouvidos de Deus, e nossas petições podem achar aceitação nas cortes celestiais. Em razão do pecado, a Terra foi separada do Céu e alienada de sua comunhão; mas Jesus a ligou novamente com a esfera da glória. Seu amor circundou o homem e atingiu o mais alto Céu. A luz que se projetou das portas abertas sobre a cabeça de nosso Salvador, incidirá sobre nós ao pedirmos auxílio para resistir à tentação. A voz que falou a Cristo, diz a todo crente: “Este é Meu Filho amado, em quem Me comprazo”.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele”. 1 João 3:2. Nosso Redentor abriu o caminho, de maneira que o mais pecador, necessitado, opresso e desprezado pode achar acesso ao Pai. Todos podem ter um lar nas mansões que Jesus foi preparar. “Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre e ninguém fecha; e fecha e ninguém abre; [...] eis que diante de ti tenho posto uma porta aberta, e ninguém a pode fechar”. Apocalipse 3:7, 8.

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